sexta-feira, 1 de junho de 2012

'Round Midnight' - Cassandra Wilson



Cassandra Wilson - Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado)



Bar é fotografia - Ciprian Strugariu









Ciprian Strugariu

Untitled

Sebastião Nery - O valentão de Agildo

 
 
Deu na Tribuna da Internet (aqui)
 
sexta-feira, 01 de junho de 2012 | 03:14
 
Sebastião Nery

O querido e saudoso Agildo Barata, herói dos tenentes de 1930, dos capitães de 35 e dos comunistas de 45 e pai do brilhante ator Agildo Ribeiro, era o menor e o mais valente dos prisioneiros de Fernando de Noronha, entre 1935 e 1945, na ditadura de Getúlio Vargas.
Um guarda enorme, bruto e violento, sempre armado, estava espancando presos, que se reuniram e encarregaram Agildo de falar com ele para dar um basta. Na hora da chamada matinal, todos no patio, Agildo, baixinho, mãozinha miúda, deu dois passos à frente, ficou algum tempo parado diante do brutamontes, enfiou o dedo no nariz dele e disse que, na primeira vez em que ele batesse em um preso, iria matá-lo em público.
O guarda ficou parado, imóvel, arregalou os olhos e caiu duro. Começou o corre-corre. Chamaram o médico do presídio.
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FERNANDO DE NORONHA
Antes do médico, chegou a mulher, debruçou-se sobre ele, gritando:
- Meu amor, não morra! Voce não pode morrer! Não me deixe!
Punha a mão nos olhos, no coração, pegava o pulso, conferindo. Chegou o médico. Não adiantou. O guarda estava morto. A mulher gritava:
- Doutor, me diga. Morreu mesmo? Será que não é só um desmaio?
- Não, minha senhora. Morreu. Acalme-se, não há mais o que fazer.
A mulher ajoelhou-se, enfiou os dedos nos olhos dele, convenceu-se de que estava morto mesmo, levantou-se, sorrindo histérica:
- Graças a Deus, doutor! Ele está morto mesmo! Morreu tarde! Isso era um bandido, um canalha. Me batia, quase me matava todo dia. Morreu tarde. Todo poderoso, todo valentão um dia se acaba!
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LULA
O pais passou a semana estupefacto, mas sobretudo solidário com o ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Gilmar Mendes, na indignação contra o ex-presidente Lula, que o chantageou, ameaçando pôr seu nome na “CPI do Cachoeira”, que diz controlar, se ele não ajudar a “melar” o julgamento do Mensalão. A resposta do ministro foi devastadora:
- “Isto é gangsterismo, molecagem. Vamos deixar claro : estamos lidando com bandidos, um grupo de bandidos, chantagistas, desrespeitosos. É uma ação sórdida, orquestrada”, (GLOBO).
- “É uma lógica burra, irresponsável, imbecil” (FOLHA).
Como o guarda valentão de Fernando de Noronha, Lula desmontou. Mandou o PT dizer que estava “indignado” e ficou mudo. Vivo, mas mudo.
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PETROBRAS
Não conheço dona Graça Foster, nova presidente da Petrobras. Meus amigos de lá me dizem que é séria, preparada, competente. Acredito, torço e confio. Mas o que sei é que a situação da Petrobras está feia. Hélio Duque, doutor em economia, professor, décadas na Petrobras, me diz:
1 – Há seis anos o preço do litro de gasolina produzido pela Petrobrás não é reajustado. Os derivados de petróleo vendidos na porta da refinaria estão 20% mais baratos do que no exterior. A defasagem dos preços, motivada pela interferência política na administração da empresa, vem sendo responsável direta pela sua desvalorização, afetando as suas ações no mercado de capitais e vitimando milhares de acionistas.
2 – Em dezembro de 2011, o valor de mercado da Petrobrás era de US$ 155,4 bilhões. Em maio de 2012, reduzido para US$123,9 bilhões. Perda de US$ 31,6 bilhões, o valor do Banco do Brasil: US$ 29,4 bilhões.
3 – O Centro Brasileiro de Infra-Estrutura comparou os preços praticados no golfo do México no primeiro trimestre de 2012. A perda de receita no período, pela Petrobras, foi de R$ 4,1 bilhões, refletido nos précos menores de óleo diesel (23,5%) e gasolina (20,1%).
4 – Em 2009, a importação de gasolina era de 9 mil barris diários. Agora em 2012 já chegamos a 80 mil barris por dia. Enquanto a Petrobras tem o seu preço de venda de derivados fixado em média em R$ 176,72 o barril, nos Estados Unidos o preço médio é R$ 211,65.
5 – Na origem dessas distorções está a captura da Petrobrás pelo governo. O atual presidente de seu Conselho de Administração é o ministro Guido Mantega. Nunca antes na história da Petrobrás, em qualquer tempo, mesmo em plena ditadura militar, o ministro da Fazenda integrou o Conselho de Administração da empresa e muito menos foi seu presidente.
Quem há mais de meio século foi preso lutando pela criação da Petrobras tem no mínimo o direito e o dever de avisar, advertir, reclamar.

Jornalista que fez campanha de Perillo em 2010 diz que recebeu de empresa do ‘Cachoeiragate’



Deu no Blog do Josias (aqui)




O jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável pela campanha radiofônica de Marconi Perillo na eleição de 2010, afirma que parte do pagamento que recebeu pelo serviço veio de uma empresa fantasma do esquema de Carlinhos Cachoeira. Coisa de R$ 45 mil.
Deve-se a revelação ao repórter Fernando Gallo. Em notícia veiculada nesta sexta (1o), ele reproduz declarações de Bordoni. O personagem lhe contou que saíra da campanha com um crédito de R$ 90 mil. O depósito de R$ 45 mil refere-se a metade dessa cifra.
O dinheiro pingou, em 14 de abril de 2011, na conta da filha do jornalista, Bruna Bordoni. Proveio da Alberto & Pantoja Construções, empresa fantasma que, segundo a Polícia Federal, era controlada por prepostos da quadrilha de Cachoeira. A movimentação bancária foi rastreada e consta dos autos da Operação Monte Carlo.
De acordo com Luiz Bordini, os R$ 45 mil foram borrifados na conta de sua filha depois que ele cobrou a dívida de campanha. Detalhista, Bordini contou que seu contato foi feito com Lúcio Gouthier, hoje assessor de Perillo no governo de Goiás. Ouça-se o jornalista:
“O sr. Lúcio Gouthier me ligou perguntando o número da minha conta pra depositar esse dinheiro. Eu disse a ele que estava viajando, e que minha filha, que paga minhas contas e administra as minhas coisas, iria receber. Dei o número da conta dela para ele. De repente, essa conta foi passada para a Pantoja.”
Bordini acrescentou, em timbre peremptório: “O dinheiro foi depositado pela Pantoja na conta da minha filha. Era dívida de campanha do governador Marconi Perillo, dos R$ 90 mil de saldo do trabalho que prestei a ele no programa de rádio na campanha de 2010.”
Ouvida, a assessorial de Perillo negou que o governador tenha se servido da empresa de fancaria de Cachoeira para realizar pagamentos. E Bordoni: “O Lúcio Gouthier é o homem que resolve todas as questões pendentes das campanhas eleitorais. Ele se responsabilizou por isso, ele resolveu e ele pagou. Pediu o número da conta pra depositar e depositou.”
Lúcio, uma espécie de secretário-faz-tudo de Perillo, foi a pessoa que cuidou, segundo o governador, da venda de uma casa de sua propriedade num condomínio de luxo de Goiânia. Negócio de R$ 1,4 milhão. Na versão de Perillo, o imóvel foi comprado por um empresário.
A PF suspeita que Cachoeira é o verdadeiro comprador da casa. Quando foi preso, em 29 de fevereiro, o bicheiro residia no imóvel. A transação foi paga com três cheques nominais a Perillo. Emitiu-os um sobrinho do contraventor.
A venda da casa é um dos fatos que motivaram a convocação de Perillo para depor na CPI do Cachoeira. Ele será ouvido em 12 de junho. A novidade pendurada nas manchetes por Luiz Bordini oferece matéria prima nova para a inquirição.
O jornalista disse que decidiu trazer os fatos à luz depois que o nome da filha dele foi citado na sessão em que o senador Demóstenes Torres foi ouvido no Conselho de Ética do Senado. “Prestei o serviço honestamente. Não vou deixar que ninguém venha avacalhar minha credibilidade por causa de Cachoeira.”

Charge do dia






Paixão - Gazeta do Povo - Curitiba, PR