quinta-feira, 12 de abril de 2012
O deputado detetive será o primeiro da história interrogado pela CPI que criou - Augusto Nunes - Blog do Augusto Nunes - link (aqui)
É compreensível que o deputado debutante não soubesse que são imprevisíveis os caminhos percorridos por uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Difícil é entender o que teria levado o detetive veterano a nem desconfiar que poderia ser pilhado no pântano que resolveu drenar. Candidato pelo PCdoB e eleito pela sobra de votos do colega Tiririca, foi Protógenes Queiroz quem propôs a instauração da CPI do Cachoeira, para investigar as ligações promíscuas entre o delinquente goiano e o senador Demóstenes Torres. Descobriu nesta terça-feira que mirou num adversário e atingiu a própria testa.
Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, a divulgação das conversas entre o deputado e um figurão da quadrilha de Carlinhos Cachoeira avisa que Protógenes terá de explicar o suspeitíssimo conteúdo dos telefonemas grampeados pela Polícia Federal. O interlocutor do sherloque trapalhão é Idalberto Matias, o Dadá, ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica e ex-funcionário da Delta Construções.
Não é pouca coisa, mas não é tudo: Dadá fez parte do bando que, na campanha eleitoral de 2010, agiu na usina de dossiês do PT para fabricar um papelório com acusações ao candidato José Serra. Um único fio pode conduzir a três meadas especialmente interessantes. O investigador açodado tem muito a dizer. Está em gestação, portanto, mais um exotismo da exuberante fauna política brasileira: Protógenes Queiroz será o primeiro parlamentar da história interrogado pela CPI que pariu.
Câmara fisga Ideli para que explique as lanchas - Josias de Souza - Blog do josias - link (aqui)
11/04/2012 - 16:38
A ministra Ideli Salvatti, articuladora política do governo, tornou-se vítima da desarticulação política dos governistas. Foi fisgada pela oposição para explicar a compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca (R$ 31 milhões) e a mordida que o PT catarinense deu no fornecedor das embarcações (R$ 150 mil).
Deve-se a apresentação do requerimento ao deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP). Foi a voto na Comissão de Fiscalização e Controle. Mobilizado, o governo esmagaria a iniciativa. Por alguma razão, a tropa depôs as armas. E a oposição prevaleceu por magra maioria: 8 a 7.
Ideli não foi convidada pela comissão, como ocorreu, na mesma sessão, com o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional). No caso dela, aprovou-se uma convocação. Marcada a data, a coordenadora do condomínio descoordenado será obrigada a comparecer.
Teriam os governistas dormido no ponto? O deputado Odair Cunha, vice-líder do governo, acha que não: “Não se trata de vacilo, se trata de uma circunstância de votação apertada. Não posso resumir o Congresso à Comissão de Fiscalização e Controle.”
De fato, não houve vacilo. Ideli foi ao anzol da oposição com iscas companheiras. O azedume do Planalto pôs em prática no condomínio a política do ‘cá te espero’. Ideli não é a primeira vítima da correnteza. E não será a última. Em nota, a ministra disse estar à disposição.
Uma vez PT sempre pizzaiolo...
Deu no blog do Josias (aqui)
12/04/2012 - 4:32
12/04/2012 - 4:32
Durou menos de 24 horas a atmosfera de concórdia que unia governo e oposição ao redor da CPI do Cachoeira. A frágil harmonia se dissolveu já na fase de discussão do texto inaugural, que define os alvos e a abrangência da investigação.
Passava de 23h quando o presidente da Câmara, Marco Maia, pendurado ao telefone, tentava convencer os líderes oposicionistas a endossar o esboço de texto apresentado pelo PT na noite passada. Não conseguiu.
Além de limitar os objetivos da CPI, manietando-a, o governo decidiu que não vai compartilhar o comando da comissão com as legendas oposicionistas. Presidirá a invesvigação um senador do PMDB. O relator será um deputado do PT.
A oposição enxergou as digitais do Planalto e do petismo no requerimento da CPI. Mantidos no escuro durante todo o dia, os líderes ACM Neto, do DEM, e Bruno Araújo, do PSDB, só receberam cópias do documento pouco antes das 22h.
Redigida sob a supervisão do líder do PT, Jilmar Tatto, a peça anota que a CPI vai investigar “práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, com envolvimento do senhor Carlos Augusto Ramos, conhecido vulgarmente como Carlinhos Cachoeira…”
Prossegue: “…Sem prejuízo de aditamento de fatos que se ligam, intimamente, ao objeto principal, particularmente à existência de um esquema de interceptações e monitoramento de comunicações telefônicas e telemáticas ao arrepio do princípio de reserva de jurisdição.”
Houve um enorme recuo em relação à versão anterior. Redigida na véspera, no gabinete do presidente do Senado, José Sarney, esse primeiro texto agradara a governistas e oposicionistas. Era mais simples e abrangente.
Previa que a investigação alcançaria Cachoeira e todos os agentes públicos e privados que se relacionaram com ele. Com essa redação, a CPI teria abrangência, por assim dizer, ilimitada.
Sob a denominação de “agentes públicos”, caberiam de prefeitos a governadores de Estado, de simples servidores a ministros e congressistas, de delegados e policiais a magistrados. O texto cobria os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Embaixo do guardachuva de “agentes privados”, abrigavam-se todas as empresas que se envolveram com a quadrilha de Cachoeira –a Construtora Delta e qualquer outra. Assim era o texto que seguiu para receber o aval da Câmara.
No prédio ao lado, submetido ao filtro do PT e aos temores do Planalto, o documento foi lipoaspirado por um lado e engordado por outro. Sumiram as menções a agentes públicos e privados. Elegeu-se Cachoeira como alvo central.
Todo o resto ficou condicionado a uma expressão vaga: “Sem prejuízo de aditamento de fatos que se ligam” ao inquérito da PF. O único fato que mereceu menção, com o adorno do vocábulo “particularmente”, foi a “existência de um esquema de interceptações e monitoramento de comunicações telefônicas e telemáticas ao arrepio do princípio de reserva de jurisdição.”
Nesse tópico, a oposição vislumbrou não as digitais do governo, mas as do PT. Ficou entendido que o partido do mensalão deseja arrastar para a CPI a revista Veja, acusada pelo petismo de ter escorado reportagens em dados coletados ilegalmente por Cachoeira. De costas para os crimes prestes a ser julgados no STF, o PT sustenta que Cachoeira está na origem do que a legenda chama de “farsa do mensalão”.
“O que é mais importante, investigar os crimes cometidos por Cachoeira e a relação dele com parlamentares, autoridades e empresas ou as escutas que ele montou para ouvir gente?”, indagou ACM Neto a uma liderança do PT.
Junto com o líder tucano Bruno Araújo, ACM Neto reuniu-se até pouco antes das 23h no gabinete do colega Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB. A tróica tentou digerir o texto que o petista Jilmar Tatto dera à luz. PSDB e DEM não engoliram.
Restou evidenciado que há um abismo entre o que deseja a oposição e o que oferece o governo. Optou-se por realizar uma consulta aos travesseiros. Informado sobre o dissenso, Marco Maia ponderou que a demora impõe um desgaste político ao Legislativo. Não convenceu.
O presidente da Câmara não obteve senão o compromisso da oposição de participar de nova reunião. Ocorrerá na manhã desta quinta (12). Dessa vez com a presença do petista Tatto.
Os dois maiores partidos do governo –PMDB e PT—e as duas principais legendas da oposição –PSDB e DEM— vão tentar construir um texto consensual antes da hora do almoço. A hipótese de acordo é remota.
Prevalecendo o dissenso, a oposição não deve se negar a assinar o requerimento. Ninguém quer correr o risco de ser pendurado nas manchetes como responsável pela inviabilização da CPI. Mas o tiroteio será inaugurado antes mesmo do início dos trabalhos.
O próprio Marco Maia foi avisado de que as rubricas da oposição descerão ao pedido de CPI sob protestos. Em entrevistas, os antagonistas do Planalto acusarão o governo e o PT de tramar uma pantomima. Coisa concebida para livrar da grelha a gestão Dilma, o governador petista Agnelo Queiroz (DF) e o PT.
Estranhou-se, por exemplo, a delimitação do escopo da CPI ao inquérito da Operação Monte Carlo, que levou Cachoeira ao cárcere em 29 de fevereiro. Para a oposição, a fixação de fronteiras tão recentes visa evitar que a CPI recue no tempo.
Tenta-se impedir a ressurreição do escândalo Waldomiro Diniz, o ex-assessor do grão-petê José Dirceu, pilhado em vídeo recebendo propina de Cachoeira antes de empregar-se na Casa Civil de Lula.
Numa derradeira tentativa de atrair a oposição para um acordo, o PT concordou em injetar no texto a Operação Vegas. Ajuda, mas não resolve. Waldomiro e Dirceu continuariam a salvo de incômodos. Concluído em 2009, esse inquérito Vegas precedeu o processo Monte Carlo. Nele foram captados os primeiros diálogos vadios do ‘ex-demo’ Demóstenes Torres com Cachoeira.
Antes que seus colegas da Câmara apalpassem o texto do PT, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, farejava encrenca na demora. “No caminho entre o Senado e a Câmara, acendeu o pânico no governo. Tem muita gente com medo”, disse ele ao blog, por volta de 18h30.
À espera do texto, Bruno Araújo, o líder tucano na Câmara, ecoava Alvaro às 21h: “Algo muito estranho está acontecendo. Um requerimento tão simples até essa hora não chegou às nossas mãos. Tem gente assustada.”
De fato, o Planalto se deu conta de que, do modo como fora redigido no Senado, o pedido de CPI era demasiado abrangente, submetendo o governo a riscos imponderáveis. Decidiu-se levar o pé à porta.
Aos pouquinhos, a CPI da ex-unanimidade vai ganhando a forma de CPI do Cinismo. Exatamente como vaticinado em texto veiculado aqui na madrugada de quarta (12). Desfeito o pseudo-consenso, a hipótese de instalação da comissão já na semana passada subiu no telhado.
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