Deu no blog do Josias (aqui)
Grupo articula a oitiva de Pagot à revelia da CPI
A CPI do Cachoeira está prestes a ganhar um afluente. Um grupo de
congressitas articula a realização de uma sessão paralela para colher, à
margem da CPI, o depoimento de Luiz Antônio Pagot, o ex-diretor-geral
do Dnit.
A articulação foi inaugurada no início da tarde desta quinta (14),
depois que a CPI derrubou, por 17 votos a 13, requerimento de convocação
de Pagot. Na mesma sessão, caiu o pedido de oitiva de Fernando
Cavendish, da Delta Construções.
Coube ao deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) sugerir a composição dessa
espécie de ‘CPI do B’ para ouvir o que Pagot tem a dizer. Convidado a
presidir o grupo, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que não integra a CPI
oficial, aceitou.
“Vamos fazer a sessão. Agora só depende do senhor Pagot”, disse Miro
ao blog. “Se ele disser que vem, será ouvido. Se não vier, então que vá
para o inferno. Comunicaremos aqui que ele não quis vir.”
Na hipótese de ser viabilizada, a sessão ‘fala Pagot’ será aberta a
qualquer parlamentar que dela queira participar, não apenas ao grupo de
insurretos da CPI. A ideia de Miro é a de dar consequência ao eventual
depoimento de Pagot.
“Conforme o que ele disser, fazemos uma notícia-crime e remetemos à
Polícia, pedindo que ele seja ouvido formalmente. Aqui, numa dependência
do Congresso, com a presença de um delegado e a assistência dos
parlamentares.”
O debate sobre Pagot e Cavendish eletrificou a sessão da CPI. Relator
da comissão, Odair Cunha (PT-MG), propôs o “sobrestamento” da
convocação da dupla. Alegou que não é o momento de convocá-los.
Sobre Cavendish, Odair argumentou que, antes de ouvi-lo, a CPI
precisa destrinchar os dados referentes à Delta, cujos sigilos bancário,
fiscal e telefônico já foram quebrados pela CPI.
Em relação a Pagot, o relator argumentou que a convocação deve
obedecer à conveniência da CPI, não à vontade do personagem. Na véspera,
em conversa telefônica com o senador Simon, Pagot reiterara o que já
havia declarado em entrevistas: dispõe de informações “relevantes” e
deseja depor.
Em tese, as alegações de Odair poderiam fazer sentido. Perderam o
nexo no instante em que o relator fez ouvidos moucos a uma ponderação: a
convocação seria aprovada e as datas dos depoimentos seriam definidas
na hora própria.
De costas para a lógica, a maioria governista da CPI –liderada por PT
e PMDB e adensada por legendas menores do condomínio— votou com o
relator. Ficou entendido que a banda majoritária da CPI teme ouvir
Cavendish e Pagot.
A voz de Cavendish, nunca é demasiado recordar, soou numa gravação
feita às escondidas por dois ex-sócios. Ele disse coisas assim: “Se eu
botar R$ 30 milhões na mão de políticos, eu sou convidado pra coisa pra
caralho! Pode ter certeza disso, te garanto. Se eu botasse dez pau que
seja na mão de nêgo… Dez pau! Ah… Nem precisava de muito dinheiro não,
mas eu ia ganhar negócio. Ôooo…”
Ou assim: “Estou sendo muito sincero com vocês: R$ 6 milhões aqui, eu
ia ser convidado. Ô, senador fulano de tal, eu tenho cinco convites
aqui. Toma, tá aqui ó. Pá! Se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão.”
São frases que, num Congresso feito de honradez, inspirariam um
desejo irrefreável de ouvir o autor. Mas a CPI prefere fingir que os
comentários não existiram. Inconformado, Miro disse na sessão desta
quinta que a “tropa do cheque” impede a convocação do presidente
licenciado e sócio majoritário da Delta.
Cândido Vaccarezza (PT-SP), contrário à presença de Cavendish na CPI,
saltou da cadeira. Respondeu à provocação de Miro em pé: “Eu não
integro nenhuma bancada do cheque.” Declarou que é preciso manter o
“foco da CPI”, cujo objeto é a investigação da quadrilha de Cachoeira.
Sobre o ex-diretor do Dnit, Vacarezza ecoou o companheiro Odair:
“Chamar o Pagot aqui é para discutir contribuições de campanha. Isso não
é foco dessa CPI.” Numa das várias entrevistas
que concedeu, Pagot acusou o tucano José Serra de fazer caixa dois e
disse que foi acionado pela tesouraria da campanha de Dilma Rousseff
para ajudar na coleta de fundos eleitorais junto a empreiteiras.
Na conversa com o blog, Miro explicou o sentido da expressão que
cunhou: “Você tem uma CPI para investigar Cachoeira e seus negócios
ilícitos. Tem a Delta botando dinheiro em empresas fantasmas do
Cachoeira. E você não quer ouvir o presidente da companhia e o
ex-diretor do depatamento que mais tem contratos com a empreiteira! O
senhor Cavendish disse que, com R$ 30 milhões, resolve qualquer coisa.
Com R$ 6 milhoes compra senador. É esse cara que não querem ouvir?”
Os líderes do PSDB, senador Alvaro Dias (PR) e deputado Bruno Araújo
(PE), também protestaram contra o encaminhamento de Odair. A exemplo de
Miro, Alvaro realçou o inusitado da não-convocação de Cavendish: “Ele
afirmou que compra políticos e pode comprar um senador por R$ 6 milhões.
É urgente, inadiável e imprescindível a oitiva desse homem. Estamos
preparados, sim, para interrogá-lo.”
No microfone da CPI, o senador Pedro Taques (PDT-MT), como Miro um integrante da ala governista ma non tropo,
evocou expressão ouvida de um colega: “O pagot é fio desemcapado”.
Acrescentou: “A Delta recebeu R$ 4 bilhões do governo em menos de 10
anos, principalmente por meio do Dnit. Não ouvi-los neste momento é
transformar isso aqui numa CPI café-com-leite, numa farsa.”
Sob o pretexto do adiamento, outras razões movem o bloco governista.
Ouvindo-se Pagot, injeta-se na CPI o caixa dois das campanhas e as obras
do PAC. Convocando-se Cavendish, vai ao banco da comissão um íntimo
amigo do governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB). São coisas que não
interessam nem ao PT nem ao PMDB.




Nenhum comentário:
Postar um comentário