sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Lupi culpa Dilma: ‘Ela quer que eu fique’ - Coluna do Augusto Nunes - link (aqui)
17/11/2011
às 17:48O regresso ao picadeiro foi ainda mais bisonho e bizarro que o numerito de estreia. Parlamentares oposicionistas escancararam a fábrica de mentiras e ampliaram o acervo de bandalheiras. Fora o inevitável Eduardo Suplicy, os companheiros do PT nem deram as caras. Os parceiros da base alugada resolveram antecipar o fim de semana. Dos três senadores do PDT, um desejou boa sorte ao presidente licenciado e dois recomendaram que caia fora do primeiro escalão federal. Durante o depoimento no Senado, Carlos Lupi só foi consolado pela solidariedade silenciosa do ex-suplente Wellington Salgado, o Rapunzel de Bordel, e pela estridência velhaca do representante do PCdoB, Inácio Arruda. O Clube dos Cafajestes e a Irmandade dos Órfãos da Albânia. Tudo a ver.
Morto insepulto em adiantado estado de decomposição, o que anima o ainda ministro do Trabalho a apodrecer em público, cuspindo cataratas de mentiras e perseguindo pateticamente a ressurreição impossível? “Ela quer que eu fique”, disse no meio da discurseira. Ela. Dilma Rousseff. O que ouviu exatamente?, quis saber um senador. “Só posso me limitar a dizer que ela pediu que eu continuasse”, fez mistério o depoente, caprichando na pose de quem parou de tratar de assuntos íntimos na frente dos outros. Há uma semana, na Câmara, o galã de bolerão acusou-se de amar a presidente da República. Nesta quinta-feira, na Casa do Espanto, o rufião de botequim acusou-a de querer que fique onde está.
A segunda revelação é mais constrangedora que a primeira. Até agora, imaginava-se que a vassoura da faxineira de araque só saía do armário na hora de varrer sujeiras para baixo do tapete. Graças a Lupi, descobriu-se uma segunda serventia: em situações de alto risco, é transformada na muleta que mantém de pé um entulho apaixonado.
Além do avião: Lupi jantou na casa do dono de ONGs - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)
18/11/2011

Além de providenciar o avião que transportou Carlos Lupi em viagem ao Maranhão, o dono de ONGs Adair Meira ofereceu um jantar para o ministro em Goiânia.
“Ele esteve na minha casa. Jantou na minha casa comigo, meus filhos e lideranças do PDT. Eu fui o garçom”, disse Adair ao repórter Jailton de Carvalho.
Na semana passada, ao explicar-se na Câmara, Lupi dissera que não tinha “relações” com Adair (no círculo da foto), não voara em “avião pessoal” dele e não sabia “onde ele mora.”
Nesta quinta (17), em depoimento no Senado, Lupi viu-se compelido a se desdizer. Conhece Adair, voou no King Air providenciado por ele e encontrou-o num jantar.
Chamado de “mentiroso”, Lupi recusou o rótulo. Preferiu impingir a si mesmo a pecha de desmemoriado. “Não tenho memoria absoluta”, disse.
Mais contido que o usual, Lupi parecia trazer dentro da boca não a língua solta de sempre, mas uma fita métrica.
Ao reconhecer que jantara com Adair, o ainda ministro absteve-se de dizer que o repasto ocorreu na casa de seu ex-desconhecido.
Expressou-se assim: “Depois da denúncia, comecei a checar tudo. Tive agenda com ele em Goiás. Fui num jantar em Goiânia e o Adair estava lá.”
A mesa foi servida no início de 2010, meses depois de Lupi ter voado nas asas providenciadas pelo dono de ONGs que obteve convênios milionários no ministério.
Adair cedeu a casa que mantém na capital goiana a pedido da deputada Flávia Moraes (PDT-GO).
“A deputada não tinha casa em Goiânia e me pediu para eu fazer o jantar. Fiz. Foi um lobby meu. Um lobby legítimo”, conta o gestor de ONGs.
Dessa vez, Lupi talvez não se anime a ter um novo lapso de memória.
Segundo Adair, o jantar foi registrado em fotos de seus familiares, da deputada Flavia e do verador de Goiânia Paulinho Graus (PDT).
Adair Meira falou também ao repórter Fabiano Costa. Nessa entrevista, jactou-se de ter proporcionado a Lupi a recuperação da memória:
“Fui eu que provoquei a mudança no discurso ao dizer publicamente que ele estava sem memória e equivocado. Não estranhei a nova versão. Achei mais do que justa.”
Perguntou-se a Adair se acredita no lero-lero da amnésia. A resposta soou enigmática:
“É uma boa pergunta, mas não tenho como respondê-la. O ministro teve suas razões para dizer que não me conhece.”
Adair adjetivou a relação que mantinha com Lupi como “formal”.
Deu a entender que veio aos holofotes para proteger a reputação de suas ONGs, às quais a Controladoria-Geral da União atribui fraudes e desvios de verbas:
“A declaração do ministro nos levou para o limbo. Fomos atingidos institucionalmente. Foi por esse motivo que reagi. Olha o estrago que o Lupi provocou.”
Adair foi instado pelo repórter a relatar as circunstâncias que o levaram a providenciar o avião que levou para os ares o que restava da reputação de Lupi.
Contou: “Sou uma pessoa com amplas relações no setor aéreo…”
“…Quando o Ezequiel [Nascimento, ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego] me pediu ajuda para alugar um avião, liguei para um empresário amigo meu e falei:…”
“…‘Você tem uma aeronave disponível? Então, vai te ligar uma pessoa para combinar roteiros.’…”
“…Na sequência, Ezequiel ligou para ele. A partir deste momento, só fui procurado pelo ex-secretário quando ele me convidou para ir junto para Grajaú, sua cidade natal.”
Adair mantém a versão de que não foi chamado a levar a mão ao bolso. No ultimo fim de semana, a assessoria de Lupi atribuíra as despesas ao PDT do maranhão.
O partido negou que a verba tenha saído de suas arcas. No Senado, o novo Lupi declarou que cabe ao ex-assessor Ezequiel explicar, não a ele.
Quem pagou?, eis a interrogação que continua boiando na atmosfera como um desafio à recém-recobrada memória de Carlos Lupi.
Escrito por Josias de Souza às 05h44
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